O que é o Jubileu? Lv. 25:8-34

A Chegada do Jubileu do ano em que nossa Igreja completa 50 anos de história coloca em evidência a importância teológica e devocional do tema das Dívidas. Muito mais do que uma questão periférica e ocasional, a questão das Dívidas está no cerne da proposta do Jubileu, mas está também no cerne do novo relacionamento que Cristo veio estabelecer e propor, tanto assim que ele colocou esta questão na "Oração dominical" que ensinou aos discípulos, síntese prática de todo o seu Evangelho. Por isto, o Jubileu pode, sim, se tornar um precioso momento de "Nova Evangelização", na medida em que for assumida, de maneira adequada, a questão das Dívidas na sua celebração. 1- Se olhamos em que consiste a proposta bíblica do Jubileu, percebemos que ela se volta, por inteiro, para a situação real vivida pelo povo de Deus, propondo a libertação dos jugos acumulados sobre ele. As propostas concretas do Jubileu, pelas quais ele acontece, são: o perdão das dívidas (Dt.15,1-10), a libertação dos escravos (Dt.15,12-14), o repouso das terras aráveis e recuperação das propriedades (Lv.25,1-12). São distorções que vão se acumulando ao longo dos anos, e que necessitam, periodicamente, de uma retificação radical. É isto que o Jubileu propõe. Para efetivar a retificação de distorções acumuladas, encontra-se a inspiração e a motivação também num acúmulo de significado religioso, contido no sentido bíblico do "sétimo dia" dedicado ao Senhor, e que resultava no descanso para o homem. O Jubileu, afinal, resulta da multiplicação, por sete, de sete anos, que se inspira no sétimo dia, que é o Dia do Senhor. Vale a pena perguntar-nos sobre a direção que está tomando a celebração do Jubileu, Deus nos chama para dedicarmos a Ele os dias desse tempo. 2- Na proposta bíblica do Jubileu, o "perdão das dívidas" constitui o seu núcleo central. Pois na verdade, as diversas opressões acumuladas são expressões de dívidas, que tomam formas de escravidão, de expropriação das propriedades, de exploração da natureza. É o sistema produtor de dívidas que deve ser desmontado e neutralizado. Desta maneira se realiza, eficazmente, o "perdão" das dívidas “pecados”. Deus nos chama para perdoar e sermos perdoados. 3- A dimensão evangelizadora do "perdão". O sentido amplo e atualizado do "perdão das dívidas", visando recriar as condições de vida aliviada para todos, se constitui numa "boa notícia", que vem ao encontro das expectativas de todas as pessoas. Daí o potencial evangelizador. Deus nos chama para darmos as boas novas. Conclusão: "Pois, se perdoardes... o Pai vos perdoará... mas se não perdoardes... o vosso Pai também não vos perdoará" (Mt 6,14-15). Quem sabe, para o ano 2010, com a reflexão de nosso Jubileu, possamos resgatar também a própria palavra "dívidas" no Pai-nosso, e assim podermos orar juntos a oração que o Senhor nos ensinou não só com as mesmas palavras, mas com os mesmos sentimentos de perdão mútuo e de unidade refeita.
Deus Abençoe: Pr. Joel Medeiros

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