FALA QUE O TEU SERVO OUVE

1 Samuel 2.27-29 - 

INTRODUÇÃO - O texto fala de um cenário de crise e de um momento de profunda transformação.
“O menino Samuel ministrava perante o Senhor, sob a direção de Eli; naqueles dias raramente o Senhor falava, e as visões não eram freqüentes. O Senhor voltou a chamá-lo como nas outras vezes: ‘Samuel, Samuel’. Samuel disse: ‘Fala, pois o teu servo está ouvindo.’ ”.

1. ANTECEDENTES DE UM TEMPO DE CRISE
Para se chegar onde pretendo nesta noite preciso voltar um pouco no tempo que antecedeu o momento histórico de Samuel e apresentar as bases da identidade e missão daquele povo. A história da origem de Israel como povo e nação estava intimamente ligada à revelação do nome Yahweh (EU SOU). A lembrança constante do grande EU SOU ou o seu esquecimento situacional determinavam ou a manutenção ou uma situação de crise de identidade em Israel.
As leis, de uma forma geral, expressavam a essência da SANTIDADE do EU SOU.
A crença no EU SOU que é essencialmente santo nortearia as relações do povo.

O ideal de obediência, comunhão e bênção era normativo. Israel não deveria ter contato com o impuro, com os povos da terra.

Diante disto afirmo que a Israel, como povo de Deus, foram dados elementos de grande teor que criaram e formataram a sua identidade. Entretanto, vários fatores conduziram aqueles hebreus a um momento de transição da estabilidade para um tempo de crise, e o fator externo gerador do problema foi o contato, ou melhor, a convivência com os cananeus. Isto aguçou a tendência dos israelitas para busca de novas aventuras pecaminosas.

2. OUVINDO A VOZ DO SENHOR NUM TEMPO DE TREVAS
Algumas coisas são importantes para se observar no texto. , o Senhor fala a Samuel exatamente à noite. O  momento histórico de Israel era caracterizado como se fosse um tempo de trevas.

Voltando um pouco no tempo, lembremos que o livro de Juízes termina com uma nota tônica e trágica que é repetida em outras partes do livro: “Naquele tempo não havia rei em Israel, e cada um fazia o que era certo aos seus próprios olhos” (Jz 21.25). (cuidado com grupos para-denominacionais)

Samuel recebe a revelação num tempo em que a Palavra do Senhor era rara e as visões eram escassas. Palavra e visão eram os meios primordiais do Senhor falar ao povo.

Em síntese, era um tempo de egoísmos exacerbados (cada um fazia o que parecia certo aos seus próprios olhos), trevas profundas. Por que as coisas eram assim? Há algumas expressões que resumem os fatos históricos de 1 Samuel, e delas separo três.

 havia “acomodação e conivência com às circunstâncias”. Eli acomodou-se ao tempo e às atitudes dos seus filhos (1Sm 2.27-29).

vem a expressão “corrupção moral e religiosa” (1Sm 2.12-17; 22). Posso dizer que os filhos de Eli que eram sacerdotes forjaram uma religião permissiva, um Deus alienado e uma teologia liberal. Eles eram corruptos, promíscuos religiosos e imorais. De uma fonte ruim não pode sair água boa para o consumo.

perda da autoridade espiritual.

3. PRENÚNCIO DE UM NOVO TEMPO.
O que disse até agora mostra o cenário que prenunciava algo grandioso que estava para acontecer, e tudo começou com o jovem Samuel. Deus começa algo que muda a história sempre por alguém disponível.

Vivendo no centro geográfico e religioso da crise, Samuel não se permitiu macular por ela. Ao contrário, acreditou que algo poderia mudar, em especial pelo fato de se permitir ouvir a voz do Senhor sem qualquer interferência pessoal ou de terceiros.

Também, ele pôs mãos à obra. Não deixava a lâmpada se apagar, além do fato de apresentar os oráculos divinos contra a casa de Eli, Samuel foi muito mais longe. Samuel saiu pelos caminhos de Israel, revestido pela autoridade do Senhor, para pregar a realidade do EU SOU e o senso de exclusividade divina. Voltar os olhos para o “Deus” era a saída. (1Sm 7.2-4).

Samuel era visceralmente contra os modismos religiosos. Ele ensina que as crises da existência religiosa e teológica se resolvem quando voltamos os olhos definitivamente para o Deus da Bíblia que se revela na história, mas que não deve ser mascarado pelos processos da própria história.

Samuel falou sobre compromisso duradouro com o Senhor. Ele vivia entre o mau exemplo de Eli e seus filhos, pessoas descompromissadas com o Senhor, porem não foi influenciado. Samuel era homem de compromisso profundo e não de superficialidades.

Conclusão: No início de sua trajetória vitoriosa, Samuel foi posto à prova. Foi numa batalha contra os filisteus. Em Mispá Samuel ofereceu sacrifício ao Senhor que agiu em função do povo de Israel, trovejando sobre os inimigos e desbaratando seus exércitos. Ali Samuel edificou um altar ao Senhor e disse: Ebenezer; Até aqui nos ajudou o Senhor (1Sm 7.5-17).

Penso que é hora de olharmos para traz, de aprendermos com nossos erros e acertos. É hora de nos despojarmos dos “deuses estranhos” que se instalaram entre nós e de redescobrirmos ou reafirmarmos nossa identidade num novo tempo ouvindo como servos o Senhor que fala.

Penso também que mais do que nunca é tempo de levantarmos um altar de celebração e de louvor ao Senhor e pensando no futuro, e como inabalável fé num futuro promissor, e com os pés no chão e a mente posta em Deus, dizermos: ATÉ AQUI NOS AJUDOU O SENHOR.
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