Lições de Uma Parábola

Mateus 18.23-24
INTRODUÇÃO Quem pergunta quantas vezes deve perdoar, já está com a intenção de se vingar. Hoje a grande maioria dos filmes, novelas, seriados e até mesmo desenhos animados direcionados a crianças, têem como tema central a vingança, na maioria de um mal ou de alguma ofensa a algum parente próximo; é a mensagem satânica que despercebidamente é infiltrada na mente dos telespectadores desavisados. Nesta parábola que, na maioria das vezes denominamos "Parábola do credor incompassivo", nada mais quer nos dizer senão que devemos perdoar para sermos perdoados, é plantando que se colhe e colhe-se de acordo com o plantado, esta é a lei espiritual. O rei perdôo a dívida, porém não perdôo a injustiça e a falta de misericórdia.
Pedro que na maioria das vezes é mais curioso do que os outros, pois sabia de sua posição de liderança entre os demais e de sua proximidade com seu mestre, querendo confirmar talvez os ensinos rabínicos (Am 1.11,13; 2:1,6; Pv 24.16) a respeito do perdão (3 vezes e no máximo e excepcionalmente 7), pergunta a JESUS sobre quantas vezes deve perdoar a seu irmão que o ofendeu, note que já dá a resposta esperando ter apenas uma confirmação de JESUS, que ao contrário do que pensava Pedro, lhe responde exatamente ao contrário do que ensinavam os religiosos de sua época.
Entraremos agora no estudo de nossa Parábola do Credor Incompassivo que JESUS usou para explicar melhor a Pedro e demais discípulos o significado do Perdão.
I. O PONTO DE PARTIDA PARA O PERDÃO (MT 18.1-20)
1. O contexto da parábola (Mt 18.1-6). Credor incompassivo - (Mat; 18:23-35) Esta parábola é uma ilustração admirável daquela frase contida na oração dominical, em que Ele nos ensina a rogar ao Pai celestial: "...perdoa as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores..."
2. A iniciativa para o perdão (Mt 18.15-17). Em Mt 5.23,24 JESUS já havia dado uma idéia sobre a condição para o perdão, sendo o ofensor o mais indicado para fazer a reconciliação entre ele e seu ofensor devido à sua capacidade de enxergar melhor a situação com olhos espirituais e de misericórdia. Esta é a primeira iniciativa para reconciliação, caso não seja bem interpretada então haverá outras tentativas, com testemunhas e depois, se for o caso, com a Igreja. 2Co 2.10 E a quem perdoardes alguma coisa, também eu; porque, o que eu também perdoei, se é que tenho perdoado, por amor de vós o fiz na presença de Cristo; para que não sejamos vencidos por Satanás;
II. O PERDÃO PROCEDE DA COMPAIXÃO (MT 18.23-35) 2Co 5. 14 Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. O amor de DEUS derramado em nossos corações pelo ESPÍRITO SANTO, nos impulsiona ao perdão pela misericórdia de DEUS em nós instalada pela presença amorosa do ESPÍRITO.
1. Um ajuste de contas (Mt 18.23). DEUS tem o direito de chamar a qualquer um, a qualquer momento para um ajuste de contas. 1 Pe 4.5 Os quais hão de dar conta ao que está preparado para julgar os vivos e os mortos.
O rei é DEUS PAI pois JESUS mesmo disse. (Assim vos fará também meu Pai celestial, se do coração não perdoardes), não há no mundo alguém maior do que este rei, Ele governa sobre tudo sobre todos. O servo aqui deve ser interpretado como sendo eu (no caso de quem lê - você) - Pelo que se entende este servo era alguém próximo do rei, pois tinha poder para prender e era muito conhecido dos outros servos próximos do rei que logo foram contar para ele (o rei) o tratamento deste servo contra o seu conservo. O conservo aqui deve ser interpretado como sendo aquele que ofende ao irmão. Observe os valores que aparecem. Um "denário" era o salário de um trabalhador por um dia de trabalho (quanto seria hoje, em sua região?). Um "talento" correspondia a 6.000 denários. Agora, procure transformar em valores de hoje as duas dívidas: Considerando 1 talento igual a 60.000 dólares, vejamos as dívidas comparadas entre si: - 10.000 talentos = R$ 16.500.000,00 (Dívida do servo com o rei) - 100 denários = R$ 2.750,00 (Dívida do conservo com o servo que foi perdoado)
O que Jesus quer nos transmitir, no que se refere à nossa dívida com Deus e a partir de valores tão diferentes? confira: Mq 7.18,19; Rm 5.20b; Mt 6.12).
- DEUS nos convida a perdoar aqueles que nos ofendem da mesma maneira que Ele nos demonstrou seu amor. Mt 22. 39 E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. 2. A imensa dívida contraída (vv.23,24).
Sabemos que está próximo o primeiro acerto de contas, quando acontecer o Arrebatamento, porém aqueles que não forem encontrados fiéis ainda terão chances como durante a grande tribulação e no final da mesma e no milênio.
2. Qual o valor real de nossa dívida com DEUS? Para custar o sangue de DEUS (em CRISTO) a dívida com certeza era a maior dívida já contraída. 1 Tm 1. 15 Quando olhamos para este versículo devemos reconhecer que não há maior dívida do que a minha (individualmente)
3. A dívida é impagável (Mt 18.25). Diante de uma dívida impagável não há como escapar do carrasco, a não ser apelando para a misericórdia, ou seja, apelar para a bondade e o amor escondidos no coração do rei, mas que nesta hora puxamos ou arrancamos lá de dentro pela necessidade e pelo desespero da morte que se aproxima.
Rm 6.23 Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.
A aplicação da lei determinava uma só coisa: a execução da dívida. Naquela época, a execução da dívida se dava, primeiramente, sobre o patrimônio do devedor. Caso o devedor não tivesse com que pagar, a dívida era executada sobre as pessoas, ou seja, as pessoas eram vendidas como escravas a fim de saldar a dívida. Em se tratando do pai de família, todos os seus filhos e sua mulher também eram vendidos (Ex.22:3; II Rs.4:1). A lei de então ainda colocava na escravidão a família do devedor, porém vemos que não era desejo do rei escravisar a família de seu servo. DEUS não quer ver nossa família sofrendo por causa de nossos erros, portanto devemos clamar sempre pela misericórdia de DEUS e sermos também misericordiosos com os que nos ofendem. O ano do jubileu é uma boa alegoria disto, pois neste ano todos os escravos ficavam livres e suas terras passavam a lhes pertencerem novamente. (Lv 25)
4. A compaixão graciosa perdoa toda a dívida (Mt 18.26,27). O servo, diz o texto sagrado, "reverenciava" o rei, ou seja, caiu aos seus pés, prostrou-se, adorou-o, suplicando pela sua misericórdia. Não há outro lugar em que possamos obter a bênção de Deus, a misericórdia de Deus senão a Seus pés. Como servos do rei, temos livre acesso a Ele. É nesta hora que lembramos da Palavra de DEUS em: 1Co 13.4 O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. 5 Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; 6 Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; 7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
1 Jo 1.7-9 7 Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. 8 Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. 9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.
É através do sacrifício de CRISTO em nosso lugar que somos reconciliados com DEUS pelo infinito amor com que ELE nos amou, provendo ELE próprio a nossa salvação.
DEUS sentiu a nossa miséria e a nossa incapacidade ao se tornar em tudo semelhante a nós atravéz de CRISTO.
III. A INCLEMÊNCIA DO SERVO PERDOADO (MT 18.28-35)
1. A crueldade do servo do rei (vv.28-30). 0 que faltou ao servo perdoado, que o levou a não perdoar? Alguma falha no rei? Ou nele próprio? O que falta a alguém que não quer perdoar o próximo? Será correto então, uma pessoa dizer: "Isso eu não posso perdoar em você, é demais!"?
Este servo em nada se parecia com seu rei, embora o esperado fosse ao contrário. Parece que não passou nem um dia para que este servo incompassivo e cruel tratasse seu conservo (ou seu companheiro de reino) com dureza e falta de misericórdia (Compaixão pela miséria alheia. indulgência, graça, perdão, piedade.). Este servo colheu uma colheita de amor, porém plantou uma de ódio e rancor. Desejava o bem para si e o mal para os outros. Quando o rei soube o que havia acontecido ficou irado com este servo desumano e cruel; enviou logo soldados para prenderem aquele servo violento e rancoroso para que sua dívida fosse novamente reconhecida, agora acrescida desta arrogância e ofensa a todas a s normas do bem viver e conviver.
2. O perdão revogado (Mt 18.34). O perdão foi revogado devido ao mal procedimento daquele servo. Hb 3.12 Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. 1Co 10.12 Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia. Rm 8.9 Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.
O servo não soube conservar a bênção do perdão quando o negou ao seu próximo. Quando um pecador se converte ao Senhor, toda a dívida de seus pecados é perdoada graciosamente por Deus em virtude do sacrifício redentor que Cristo ofereceu ao Pai no Calvário (Hb 10.12-14). A redenção do pecador só Deus pode efetuar, bem como perdoar todos os seus pecados (Sl 49.7,8; Mc 2.10).
3. Aplicação da parábola (Mt 18.35). O texto diz que: "Assim vos fará também meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas". Ao perdoar alguém, devemos fazê-lo com amor, de coração, pois o perdão nos assemelha ao caráter de Deus (Ef 4.32). Aprendemos nesta parábola que "o juízo será sem misericórdia sobre aquele que não fez misericórdia; e a misericórdia triunfa sobre o juízo" (Tg 2.13).
CONCLUSÃO Não vivemos em um "mar de rosas". A fé cristã não nos garante uma vida sem problemas. Isto inclui mágoas e tristezas que temos quando somos ofendidos ou desprezados por pessoas que estão perto de nós. Mesmo dentro da igreja muitas vezes há problemas deste tipo. O pecado ainda está dentro de cada um de nós e se manifesta de muitas maneiras. Ao sermos ofendidos, nosso velho homem manifesta a tendência de revidar. O Salvador Jesus, porém, nos leva em outra direção. Pelo poder do Espírito Santo, que veio a nós em nosso batismo e vem pela Palavra, somos movidos a viver sob o perdão de Deus e agindo em perdão para com o nosso próximo. No texto de hoje, queremos aprender com o Senhor a importância de exercitar abundantemente o perdão na nossa convivência, muito especialmente entre os irmãos na fé.
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