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A CAMINHADA DE FÉ ABRAÃO

- Caminhando pela fé na terra da promessa.

Deus poderia, por um decreto seu, salvar a humanidade. Entretanto, ele decidiu usar homens nesse processo. O
Senhor escolhe, chama, capacita e envia. Ele faz desse modo até hoje.

O CHAMADO
Assim, Deus escolheu Abraão e o chamou, dizendo: Ler " (Gn.12.1...)"

A proposta divina não acompanha a lógica humana. Abraão e Sara estavam em idade avançada e não tinham filhos. Como poderiam gerar uma grande nação? Além disso, Sara era estéril. As condições e as evidências não eram favoráveis ao propósito de Deus. Aquelas não pareciam ser as pessoas mais indicadas para tão grandiosa missão.
Deus faz assim. Muitas vezes, ele escolhe pessoas incapazes para que, no final da história, os méritos e a glória pelos resultados sejam só do Senhor (Rm.4.17; ICo.1.28). Ele pode nos fazer ir muito além dos nossos limites pessoais.

DOIS ASPECTOS DA PALAVRA
A palavra de Deus a Abraão tem duas partes: ordem e promessa. Assim acontece conosco também. Não podemos abraçar um aspecto da palavra e desprezar o outro, visto que ambos estão interligados. Temos caixinhas de promessas, mas não de mandamentos. Queremos bênçãos, mas fugimos de responsabilidades e tarefas. Contudo, muitas promessas estão condicionadas à obediência às ordens. Se Abraão não obedecesse, não seria abençoado.

A ordem de Deus em Gênesis 12 tem três elementos: sair da terra, da parentela e da casa do pai. A promessa tem sete elementos:
- De ti farei de ti uma grande nação; - Abençoar-te-ei; - Engrandecerei o teu nome; - Tu serás uma bênção;

- Abençoarei os que te abençoarem; - Amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; - Em ti serão benditas todas as famílias da terra.
A promessa é mais ampla do que a ordem. O que Deus nos dá é infinitamente maior do que aquilo que ele nos pede.

FÉ E OBEDIÊNCIA
Abraão ouviu a palavra de Deus, creu e obedeceu. Em muitas situações, a palavra precisa da fé humana para produzir frutos (Heb.4.2). A fé de Abraão tornou-se padrão para todos os crentes que vieram depois dele (Gal.3.6-9). Entretanto, sem obediência, sua fé seria morta (Tg.2.20-22). Precisamos crer e agir.

Abraão tomou uma decisão e começou sua viagem em direção à terra prometida. O cumprimento da promessa está lá e não aqui. Isaque não nasceria na Mesopotâmia. Na vida cristã e também nas questões seculares, não podemos viver inertes, estagnados, esperando que tudo venha até nós. Por exemplo, quem precisa de um emprego, não pode ficar em casa dormindo o dia inteiro. Quem quer evangelizar, não deve ficar esperando que as pessoas venham suplicar pelo evangelho. É preciso caminhar, tomar iniciativa, sair do lugar.
    Pelo texto de Gênesis, a saída de Abraão pode parecer algo muito simples. Entretanto, ele estava deixando uma cidade muito desenvolvida para os padrões da época. Ur dos caldeus estava localizada no território da Suméria (Iraque). Os sumérios desenvolveram técnicas de irrigação, inventaram o arado, tornaram-se grandes produtores agrícolas, grandes comerciantes, produzindo riqueza e desenvolvimento admirável. As evidências arqueológicas indicam que ali surgiu o primeiro alfabeto e a escrita.
    Abraão morava numa boa cidade e ali estava bem estabelecido. Sair de Ur dos caldeus representaria renúncia ao seu conforto, aos negócios, aos amigos e a muitos familiares, a quem nunca mais tornaria a ver.
    Abraão saiu sem saber para onde ia (Heb.11.8). Uma viagem rumo ao desconhecido é um desafio. Queremos saber tudo? Queremos ter o controle da situação? Desejamos a compreensão exata de todos os detalhes da palavra de Deus antes de obedecê-la? Eis porque muitos racionalistas se tornam desobedientes convictos. Não precisamos conhecer tudo, mas conhecer o Senhor o suficiente para obedecermos sem questionamentos. O filho conhece o pai e está seguro do seu vínculo com ele. O filho pode não compreender tudo, mas deve confiar e obedecer.
    Na vida de Abraão, encontramos erros e acertos. Afinal, ele não era um super-homem. Era uma pessoa normal que cria em Deus. A bíblia não esconde os equívocos de seus heróis. Nem os líderes são perfeitos, mas cada um deve cuidar para não ser "imperfeito demais", sob pena de se tornar desqualificado. Erros acontecem, mas precisamos fazer de tudo para evitá-los. Vejamos alguns destes deslizes de Abraão:

A COMITIVA
Deus mandou que ele saísse da sua terra, do meio de sua parentela e da casa do seu pai. Abraão saiu levando o pai e o sobrinho Ló. Muitos querem andar com Deus, mas levam uma bagagem indevida. Levam práticas da velha vida.

A primeira consequência é o atraso na caminhada. Abraão saiu de Ur dos Caldeus com destino a Canaã, mas parou numa cidade chamada Harã, e ali ficou morando até que o pai morresse ( Gn. 11: 31 e 32).

Só depois pôde continuar sua trajetória (At.7.4). O fato de ter levado o sobrinho teve efeitos trágicos. Primeiro, foi a contenda entre os pastores de Abraão e Ló, de modo que tiveram que separar-se (Gn.13.7). Quando o sobrinho se vai, Deus fala novamente com Abraão (Gn.13.14). Depois, Ló foi viver em Sodoma, colocando a família para morar no meio da podridão pecaminosa Gn.13.12). Em seguida, ocorreu uma guerra na região, Ló se tornou prisioneiro, e Abraão precisou intervir para livrá-lo (Gn.14). Depois, Deus destrói Sodoma e Gomorra, Ló precisa sair às pressas, deixando toda a sua riqueza (Gn.19). Talvez por isso, sua mulher tenha olhado para trás, tornando-se uma estátua de sal (Gn.19.26). Por último, as filhas de Ló têm relacionamento sexual com ele e geram dois filhos, dos quais surgiriam duas nações malditas: Amom e Moabe, inimigos de Israel (Gn.19.36-38).

VISITANDO O EGITO
Outro erro de Abraão foi descer ao Egito sem a orientação de Deus (Gn.12.10). Ele já estava morando em Canaã, mas, por causa da fome, foi à nação vizinha. Embora fosse a potência mundial na ocasião, aquela não era a terra prometida. Abraão saiu do caminho determinado por Deus, como fazem aqueles que se desviam, indo buscar no mundo o
suprimento de alguma necessidade ou desejo. Desse modo, caem em armadilhas e no laço do passarinheiro. As conseqüências foram terríveis.

Abraão ocultou o fato de Sara ser sua esposa, e Faraó mandou buscá-la para o seu harém. Vemos como é importante que o casamento seja de conhecimento público. (Nada de esquecer a aliança em casa!). Deus enviou pragas sobre a casa de Faraó, de tal modo que ele desconfiou que alguma coisa estava muito errada. O rei tinha uma sensibilidade que hoje falta a muitas pessoas. Ele logo reconheceu o erro e mandou Sara embora, juntamente com Abraão. O rei deu a Abraão bois, ovelhas, jumentos, camelos, servos e servas (Gn.12.16). O pecado atrai a ira de Deus. Passadas essas coisas, Abraão voltou a Canaã, de onde nunca deveria ter saído.

O NASCIMENTO DE ISMAEL
Parece que um dos presentes que Faraó deu a Abraão foi à serva Agar. Fato é que ela era egípcia. Deus havia prometido um filho a Abraão. Sara, sendo estéril, sugeriu que ele tivesse o filho com a escrava. E assim foi feito. O jugo desigual se estabeleceu e Ismael nasceu. Aquele foi um dos piores erros de Abraão. Ismael é a iniciativa humana no sentido de ajudar Deus, como se isso fosse necessário. Quando se trata de promessa, não há o que possamos fazer. Devemos apenas esperar. Abraão tomou a iniciativa e cometeu um grande equívoco. Como consequência, podemos citar a expulsão de Agar e Ismael da casa de Abraão (Gn.21.14), a questão da herança entre Isaque e Ismael (Gn.21.10), e a discórdia entre os seus descendentes até o dia de hoje. Ismael era o primogênito, mas Isaque recebeu as honras e os bens (Gn.25.5). A ida ao Egito trouxe mais problemas do que se poderia imaginar. Quem vai ao Egito traz lembranças de Faraó. Aquele que vai ao mundo satisfazer seus desejos pode trazer marcas indesejáveis para toda a vida, prejudicando os filhos e toda a família.
    Por quê Ismael não poderia se o início da grande nação prometida por Deus? Porque ele era resultado da capacidade humana e não fruto do milagre. Deus escolheu, não apenas Abraão, mas também Sara. Deus escolheu, não apenas um homem, mas uma família. Se o Senhor puder usar um homem, ele usará, mas se a família estiver nas mãos de Deus, será ainda melhor. O filho da promessa nasceria de Sara, e não de uma mulher qualquer.

TEMPO DE DEUS
Quando Abraão saiu de Harã, tinha 75 anos (Gn.12.4). Depois de 10 anos morando em Canaã, o filho prometido ainda não tinha vindo (Gn.16.3). As providências humanas foram tomadas e nasceu Ismael. Outros 15 anos se passaram antes que nascesse Isaque (Gn.21.5). Entre a promessa e o cumprimento houve uma distância de 25 anos. A passagem do tempo torna-se o teste da fé. A paciência e a esperança são irmãs gêmeas. Não adianta marcar prazos para Deus, 'determinando' que as coisas aconteçam hoje, aqui e agora. Ele é o Senhor da história, principalmente daqueles que atenderam o seu chamado e se colocaram a seu serviço. Enquanto esperamos o suprimento divino, chegam as
propostas malignas
(Gn.16.2; Mt.4.3). O prato de lentilhas está servido, mas o preço é muito alto. É melhor esperar o que vem do Senhor, confiando na sua fidelidade. Enquanto esperamos, amadurecemos e somos preparados para o desempenho da missão. Chegado o tempo de Deus, nasceu o filho da promessa. A palavra do Senhor não falha. De Isaque veio Jacó. De Jacó vieram os patriarcas das doze tribos de Israel. Daquela nação veio o Messias para que a
bênção de Deus pudesse alcançar todas as famílias da terra (Gn.12.3).

Deus Abençoe Pr. Joel Medeiros

DIFEREÇAS E SEMELHANÇAS ENTRE AS DUAS CASAS



(Mateus 7.24-27). - No tempo da bonança, todas as edificações parecem seguras.
- O Mestre falou sobre dois homens, que representavam os dois tipos de pessoas que estavam ali ouvindo a sua mensagem, já no finzinho do sermão do monte. Os dois eram muito semelhantes entre si. Vejamos suas semelhanças:

1º - Ambos conheceram o Senhor Jesus
O Mestre não estava se referindo àqueles que nunca ouviram falar a respeito dele, mas às pessoas que o conheciam. Encontrar Jesus é uma das experiências mais importantes na vida de qualquer ser humano. Toda via isso não será suficiente para salvar o desobediente. Judas Iscariotes conheceu Jesus e andou com ele, mas não foi salvo. As igrejas estão repletas de pessoas que conhecem o Senhor em um nível básico, mas o plano de Deus para nós vai muito além dessa experiência inicial.

2º - Ambos ouviram a palavra de Deus.

Conhecer as Sagradas Escrituras é algo de suma importância, porém, jamais servirá muito se for apenas teórico.
Aqueles homens estavam bem informados sobre a vontade de Deus. Conheciam a verdade. Muitos conhecem a bíblia, mas não a pratica ficando apenas com a história ou literatura religiosa. De nada adianta, é como,
conhecer bem a fórmula do chocolate sem jamais experimentá-lo.

3º - Aqueles homens eram trabalhadores

Eles possuíam muitas qualidades. Eram dignos de reconhecimento. Não foram preguiçosos nem omissos. Tinham uma meta definida e tomaram iniciativas no sentido de construírem suas casas. Não ficaram inertes, esperando que outros o fizessem, não pararam no meio do empreendimento. Muitas pessoas ficam apenas no projeto.
Outras tantas começam, mas desistem. Aqueles homens foram até o fim.
Aparente sucesso
Depois de prontas, as casas devem ter ficado bonitas. Aparentemente, tudo tinha dado certo. Já se podia providenciar a mudança e a inauguração da nova residência.

Nossas edificações
Todos nós estamos empenhados em algum projeto ou, quem sabe, em muitos. Estamos construindo carreiras profissionais, nossas famílias, nossas vidas. Estamos trabalhando para a realização dos nossos sonhos e desejos. Podemos até estar envolvidos com a obra de Deus na igreja. Alcançamos nossos alvos e tudo parece bem. No tempo da bonança, todas as casas parecem seguras. Até mesmo alguns ímpios, bem sucedidos na vida, do ponto de vista material e social, parecem exemplos a serem seguidos. O salmista Asafe chegou a sentir inveja dos incrédulos, ao ver sua aparente prosperidade e firmeza (Salmo 73).

O dia da tempestade
Todas as nossas obras serão testadas. Não será um exame das aparências, mas da essência. O teste não veio apenas sobre à casa do insensato. As duas foram alvo da tempestade. As tribulações da vida vêm sobre todos. Ninguém tem imunidade. Alguns imaginam que, pelo fato de serem cristãos, não possam passar por necessidades
financeiras, não possam ficar doentes ou tristes. Não é verdade. As dificuldades vêm sobre todos, inclusive sobre o sábio, pois é nessa hora que sua sabedoria será útil e necessária. (IPd.4.12), (IICo.4.8-9), (João 16.33).
- É importante notar que, dessa vez, Deus não interferiu para acalmar a tempestade. Ele pode fazer isso, mas não significa que fará sempre. Algumas vezes, a tormenta continuará até o fim, sem interferência divina, pois trata-se de um teste necessário e importante. Não se espera que, durante a prova de uma criança na escola, o pai
entre na sala para interromper ou solucionar as questões para o
filho. Não fique decepcionado com o Senhor.
- Jesus disse que aquelas casas foram atingidas pela chuva, pelos rios e pelos ventos. Talvez as duas estivessem bem preparadas para suportarem a chuva, mas resistir às correntezas de um rio é algo muito mais difícil.
O inimigo poderá nos atacar de modo ferrenho, dentro dos limites permitidos pelo Senhor. A chuva, os rios e os
ventos são tipos de tribulações que vão nos testar por todos os lados e em todos os aspectos. Seremos atingidos, açoitados, balançados e sacudidos. Quem está de pé, cuide para que não caia (ICo.10.12).

O dia seguinte
Depois da tempestade, verificou-se que apenas uma casa continuava de pé. A outra tinha desabado. continuaremos no lugar depois da chuva, dos rios e dos ventos? Muitos são aqueles que se desviam do caminho
da verdade, após terem sido alvejados pelo inimigo. Quem tivesse visto as casas antes, poderia questionar: O que
aconteceu? Por quê aquela casa caiu? Parecia tão boa, tão bonita, tão forte. O problema estava na base. Uma foi construída sobre a rocha. A outra, sobre a areia. Então, aquelas casas, que podiam ser tão parecidas, tinham uma diferença profunda, assim como eram bem diferentes aqueles dois homens, apesar das semelhanças já mencionadas. Um era sábio. O outro, insensato. Suas obras foram diferentes por causa da grande diferença de caráter entre ambos. Nossas obras revelam o nosso caráter.

O alicerce
Nele está o motivo da queda ou da firmeza. É a parte oculta da construção. Não se trata de aparência, mas de essência. É importante investir nas janelas, nas paredes, no piso, nas portas, no telhado, na tinta, no revestimento, etc, mas não podemos economizar no alicerce. Trata-se de um investimento oculto, mas imprescindível. Não basta que a casa seja grande e bonita. É preciso ter um bom fundamento. As práticas mais importantes da nossa vida são aqueles que só Deus vê.
- O alicerce do cristão é Cristo. (At.4.11). Aquele que se desvia por causa do escândalo de outra pessoa não tem
alicerce. É como planta sem raiz.

- Aquele moço que se desvia do evangelho para namorar uma incrédula não tem alicerce. Sua casa caiu.

- O Senhor deseja que sejamos prudentes. A maior demonstração de prudência e sabedoria é obedecer à palavra do Senhor. É colocar em prática o que já conhecemos da vontade de Deus. Na hora do teste, a aparência não resolve, mas o fiel permanecerá firme. Resistirá às tribulações e será motivo de glória para o nome do Senhor.